Confiança decepada
Pois é, viver, de certa forma, implica se decepcionar com pessoas, com instituições. Não há como escapar disso, podemos concluir, ao ler, nos jornais deste sábado, que o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, sabia, desde 2006, dos problemas com o sistema de rebaixamento do banco traseiro do Fox (VW). Segundo a porta-voz indicada para o caso, foi feita investigação, a partir de denúncia de um consumidor que teve o dedo decepado pela maldita argola que se liga a uma alça flexível no Fox. Mas nada foi concluído. Então, nada se fez. Ou seja, o órgão que tem como atribuição proteger e defender o consumidor, nada fez além de investigar. E, vejam bem, a dica sobre o problema foi do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpriu com suas responsabilidades, ao repassar indicação de um consumidor que teve o dedo decepado. Senhor diretor do DPDC – não a porta-voz indicada para a desagradável reportagem –, senhor Ricardo Morishita, não é assim que um órgão como o DPDC deve agir. Nossa confiança, além dos dedos de vários consumidores, foi decepada.Escrito por Maria Inês Dolci às 10h50
Não é prá valer?
O afrouxamento das exigências para os capacetes, adiando para junho o uso do selo do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e só para equipamentos novos, mostra que o governo edita normas sem planejamento. O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) alterou na segunda-feira as regras para os capacetes dos motociclistas. Desde 1º de janeiro, eles eram obrigados a circular com capacete com o selo do Inmetro. Se vale apenas para capacetes fabricados a partir de 1º de agosto de 2007, quem garante a qualidade de quem já tem o equipamento? Os adesivos reflexivos, que também passaram a ser exigidos nos capacetes, são para garantir a segurança. Não se brinca com questões sérias como essas!Escrito por Maria Inês Dolci às 12h11
