Maria Inês Dolci - Defesa do consumidor
Maria Inês Dolci - Defesa do consumidor
 

Cardápio indigesto

Já foi um absurdo saber que algumas marcas de leite longa vida continham água oxigenada + soda cáustica, e que também corríamos o risco de comprar queijo fora da validade, por ação de pessoas inescrupulosas. Agora, o Departamento Nacional de Produção Mineral encontrou coliformes fecais na água mineral de sete das 12 concessionárias do Espírito Santo. É um absurdo que não possamos mais confiar nos alimentos que consumimos, mesmo que haja, oficialmente, fiscalização desses produtos. Lamentavelmente, as entidades de defesa do consumidor têm de redobrar sua atenção e cobrança de agências governamentais e demais responsáveis pela fiscalização e garantia da qualidade dos alimentos que colocamos, diariamente, em nossas mesas. É muito importante que todos nós estejamos atentos aos alimentos consumidos dentro e fora de casa, para, ao menor indício de problemas - por exemplo, gosto e aroma incomuns - denunciar às autoridades. Senhores congressistas, senhores governantes, atenção: pensem um pouco menos na CPMF, e mais nos brasileiros em geral, que perderam até a confiança nos alimentos que comem. Menos voracidade fiscal e tributária, e mais trabalho, ilustres senhores!

Escrito por Maria Inês Dolci às 22h52

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Brincadeira perigosa

Com mais esse caso envolvendo brinquedos perigosos, fica comprovado que seria melhor que o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) não colocasse selo em nada,  pois acaba em descrédito do produto. Qual a função do Instituto? Só a parte de medir e pesar os produtos? E ainda pede para o consumidor não comprar o tal brinquedo Bindeez, como se não tivesse nada a ver com isso. Mas o selo do Inmetro está lá na embalagem, e com indicação para acima de três anos, apesar de bolinhas minúsculas facilmente engolidas por crianças pequenas. Para completar só falta colocar o selo em caixa de leite que deixa o cabelo loiro, pois já vem com água oxigenada. E a empresa Long Jump, distribuidora da linha de brinquedos Bindeez, que apresenta risco de contaminação por substância tóxica, que induz a perda de consciência, ainda diz que  está avaliando se é caso de recall. Esse não é mesmo um país sério! Com o brinquedo as crianças montam desenhos colando minúsculas bolinhas coloridas com água. Seria cômico se não fosse trágico, pois se coloca em risco a segurança dos consumidores.

Escrito por Maria Inês Dolci às 15h07

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Prejuízo na certa

Quem tem passagem pela BRA comprada com antecedência para as férias e não quer correr o risco de não viajar no dia programado, tem tentado sem sucesso contato pelo telefone informado pela empresa para formalizar o pedido de reembolso. É um descaso total! A linha só dá sinal de ocupado. Quem parcelou o pagamento por meio de cartão de crédito ainda tem a possibilidade de formalizar junto à administradora a suspensão das cobranças, tendo em vista o rompimento do contrato pela empresa aérea, mas o que já foi pago demorará pelo menos um mês para ser reembolsado, após a formalização do pedido. Ou seja, prejuízo na certa.

Escrito por Maria Inês Dolci às 16h20

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Últimas ilusões

Com a quebra da BRA cai por terra as últimas ilusões da população que tinha passado a voar porque ainda conseguia preços mais baixos. Sem concorrência, as empresas remanescentes no mercado ficam a vontade para cancelar vôos ou  reajustar preços.Falta principalmente o governo e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estabelecerem mecanismos para avaliar, intervir, e dar prazo para recuperação, e maior transparência para auditar a situação das empresas antes que elas lesem o consumidor. O passageiro não pode ser surpreendido, como foi agora. Falta fazer acompanhamento e fixar programa de recuperação antes de decretar falência, por exemplo. Não pode simplesmente fechar as portas e deixar o consumidor se virar sozinho, como está ocorrendo. O passageiro tem que ter os direitos resguardados. Essa era uma tragédia anunciada desde que a própria Anac limitou alguns vôos justamente porque a empresa não estava fazendo a manutenção para garantir a segurança, e vinha suspendendo vôos na volta do exterior.

Escrito por Maria Inês Dolci às 06h22

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Lucros recordes

Discordo dos economistas que dizem que o consumidor, que não troca de banco em busca de preços menores e serviços melhores em outras instituições, tem sua parcela de culpa por não haver reflexo dos lucros exorbitantes do setor em beneficio aos clientes. Não é fácil trocar de banco, a dita portabilidade ainda não se verifica na prática. E continua a aparecer nos talões aquela frase que leva a discriminação do correntista “conta aberta em ...”. Ou seja , ainda se vê lojas restringindo a aceitação de cheques de contas abertas a menos de seis meses. Por que os bancos não investem parte dos lucros recordes em redução de taxa de financiamento e de preços de serviços e tarifas bancárias?  Mas o investimento para aumentar a receita de serviços é uma constante, com criação de novas tarifas.



Escrito por Maria Inês Dolci às 15h56

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PERFIL

Maria Inês Dolci Maria Inês Dolci, 50, coordenadora institucional da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) e colunista da Folha.

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