Maria Inês Dolci - Defesa do consumidor
Maria Inês Dolci - Defesa do consumidor
 

Desrespeito ao consumidor

Como já temíamos voltou a tudo como antes: os 28 acusados de envolvimento em esquema que adicionava soda cáustica e água oxigenada no leite já foram liberados da prisão. A nós consumidores ficou o descrédito em relação a um alimento básico. E a desconfiança se estende aos diversos tipos de leite. Quem garante que o leite pasteurizado tipo A, Leite Pasteurizado tipo B e Leite pasteurizado na forma integral, semidesnatado e desnatado, não podem sofrer o mesmo tipo de fraude detectada no longa vida? Cadê a prestação de contas à população, com resultados de análises do produto em todo o País?

Escrito por Maria Inês Dolci às 07h25

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Balela

Esses dias o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, desaconselhou o uso do cheque especial, por ser uma modalidade de crédito muito cara. Como se fosse uma opção e não uma necessidade, da qual o consumidor se vale em último caso. E disse não ter dúvidas de que a taxa de juro no país precisa cair. Para isso acha essencial implantar um cadastro positivo para se ter informações sobre os bons pagadores o que reduziria os juros. Esse cadastro é discriminatório. Não passa de balela dizer que as taxas são elevadas porque a inadimplência é alta. O que falta é concorrência entre os bancos. Faltam medidas para reduzir o spread bancário (diferença entre taxa de captação e a paga pelos consumidores).

Escrito por Maria Inês Dolci às 11h33

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Sem gás

É cada dia uma surpresa, só que a da terça-feira foi anunciada estrategicamente à noite, para não ofuscar o circo montado para anunciar a Copa do Mundo no Brasil em 2014. Quem confiou e mudou a fonte de energia para gás natural, agora enfrenta restrições na oferta do produto porque a Petrobrás reduziu o suprimento temporariamente. Por mais que a medida não tenha reflexo imediato para o consumidor final (gás residencial nas casas abastecidas por gás natural, por exemplo) mostra que não se pode confiar no fornecimento de energia pelo governo. No Rio os motoristas com carros a gás já estão encontrando dificuldade para abastecer. Os taxistas são os mais prejudicados, sem falar a indústria. Com tudo isso, entende-se porque o País, com o rabo entre as pernas, anuncia o retorno dos investimentos da Petrobras na Bolívia, de onde foi escorraçada.

Escrito por Maria Inês Dolci às 06h46

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Gambiarra aérea

Enquanto o ministro da Defesa, Nelson Jobim, passeia pelo Brasil e aproveita toda oportunidade para uma foto exótica, os passageiros que são obrigados a fazer ‘conexões por conta própria’ em Congonhas, sofrem com toda a burocracia em duplicata. Ou seja, com novo check-in, e tudo o que isso significa em termos de documentos, reacomodação de bagagens, taxas de embarque etc. Tudo porque o governo decidiu acabar com as conexões após o acidente com o Airbus da TAM, para aliviar o tráfego em Congonhas. Nada contra a adoção de medidas que reduzam o tráfego em Congonhas, em função da segurança dos vôos. Mas fica claro que o caos aéreo não foi, nem de longe, resolvido. Simplesmente ficou mais difícil voar, porque o governo não sabe como compatibilizar segurança com atendimento à demanda.

Escrito por Maria Inês Dolci às 17h57

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PERFIL

Maria Inês Dolci Maria Inês Dolci, 50, coordenadora institucional da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) e colunista da Folha.

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