Maria Inês Dolci - Defesa do consumidor
Maria Inês Dolci - Defesa do consumidor
 

Excluídos da TV digital

Com os preços anunciados pela indústria para o conversor da TV digital, na faixa de R$ 700 ou mesmo R$ 400 como contrapõe o governo, teremos mais uma categoria de excluídos no País, os sem TV digital. O custo elevado do conversor prejudica o acesso à nova tecnologia por parte da população que não tem condições de comprar uma TV nova. E lembram que o ministro das Comunicações havia anunciado que o custo do conversor não ultrapassaria R$ 150? Resultado: a maioria dos brasileiros vai continuar com o sinal analógico do seu televisor.

Escrito por Maria Inês Dolci às 08h56

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Sem saída

Hoje já senti na pele as mudanças do aeroporto de Congonhas, com a nova malha aérea. Fiquei dentro do avião esperando na pista para decolar para o Rio quase um hora, aguardando o seqüenciamento de vôos. Queria desistir da viagem mas não abriam a porta do avião, pois ele já estava na pista em fila de espera. Os atrasos têm sido a tônica com as novas regras que limitam os vôos para o aeroporto paulista, impondo às empresas a redistribuição de conexões e partidas. A restrição do uso do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para evitar novas sobrecargas na segurança de vôo era justamente para reduzir os atrasos. Resolução do Conac determinou que os vôos partindo de Congonhas sejam limitados agora a uma distância máxima de mil quilômetros, proibindo escalas e conexões. O aeroporto só pode operar agora com 33 aeronaves por hora. As empresas foram obrigadas a redistribuir seus vôos. Além das restrições do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), outras também começaram a vigorar, impostas pelo Tribunal Regional Federal. Foram proibidos pousos de aviões com mais de 130 passageiros ou com tanque cheio no terminal de Congonhas. Para o Tribunal, aeronaves com "qualquer defeito mecânico" estão obrigadas a desviar para o Aeroporto de Guarulhos. Além disso, as companhias aéreas estão obrigadas a dar treinamento específico às tripulações que trabalham em Congonhas.Quando será que voltaremos aos velhos tempos em que voar de avião era garantia de chegar em segurança e no horário?

Escrito por Maria Inês Dolci às 10h57

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Liderança fatal

Tristes campeonatos e péssimas lideranças continuam a vicejar no Brasil. Somos campeões mundiais em acidentes de trânsito. Temos uma das maiores taxas de juros do Planeta. Uma das maiores desigualdades de renda. E São Paulo contribui (?) com 1% dos homicídios do mundo, embora tenha 0,17% da população mundial.Pois bem, qual o maior risco à vida, nos dias de hoje, além dos acidentes de trânsito, na região (Grande São Paulo) que responde por 1% dos homicídios do mundo? E que, com o Rio de Janeiro, tem metade dos assassinatos do Brasil? Quem deveria assegurar o nosso direito de ir-e-vir sem ser assaltados, seqüestrados, feridos e mortos seriam os governos federal e estaduais, principalmente, com participação subsidiária dos municípios. Parte dos impostos cobrados, extorsivamente, no Brasil, se destinaria a nos garantir segurança pública.Mas não temos segurança pública pela incompetência e descaso das autoridades para com esse direito dos cidadãos, que também é um dos direitos do consumidor, do contribuinte, do eleitor. As polícias são mal aparelhadas, mal pagas e mal treinadas. Não há uma política nacional de segurança digna deste nome. Permanece a dicotomia entre Polícias Civil e Militar, com comandos e objetivos diversos.Além disso, há uma confusão entre direitos humanos e combate à violência, inclusive em nossas leis, extremamente lenientes com os criminosos. Que, mesmo no caso de tarados homicidas, ganham o direito à liberdade nos finais de semana, como se viu, lamentavelmente, no caso dos dois meninos brutalizados e mortos na Serra da Cantareira, em São Paulo.Bicheiros, traficantes e outros criminosos podem até ser presos, mas a Justiça parece ter dificuldade em mantê-los atrás das grades.Armamentos de alto poder letal são vendidos via fronteiras – ou, o que é pior, desviados de quartéis para as mãos de criminosos.O crime é organizado, o combate ao crime, não.A defesa dos direitos dos criminosos é veemente, emocionada e ampla. Ninguém comparece, contudo, aos velórios das vítimas para prestar solidariedade.Esta inversão de valores, somada à inoperância de quem deveria garantir o direito de trabalhar e de viver em paz, faz com que as platéias aplaudam excessos contra criminosos mostrados no filme “Tropa de Elite”. Estamos todos fartos de ouvir muito blá-blá-blá sobre segurança, mas perceber que quase nada é feito nessa área.A cada dia, nos enjaulamos mais em casa, e em carros com vidros fechados, tremendo de medo e rezando para que nada aconteça a nós e a nossos familiares, amigos, colegas e vizinhos. Enquanto isso, bem, a preocupação dos responsáveis é assegurar os recursos da CPMF até o fim dos tempos.

Escrito por Maria Inês Dolci às 13h43

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Maria Inês Dolci Maria Inês Dolci, 50, coordenadora institucional da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) e colunista da Folha.

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